domingo, 17 de abril de 2011

O DIVORCIO A LUZ DA BÍBLIA

SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA EM SÃO LUÍS
CURSO LIVRE EM TEOLOGIA PASTORAL
DISCIPLINA: ÉTICA CRISTÃ
 SEMINARISTA: NÁDIA KERLY S. P. TAVARES
Seminários: de quem é a responsabilidade?
 Divórcio
SÃO LUÍS 2011
1 INTRODUÇÃO

O mundo tem passado por grandes e profundas crises: econômica, social, política, moral e religiosa. Pode-se dizer que o mundo está doente, há angústia e perplexidade entre todas as nações. Com a globalização alguns poucos países estão enriquecendo enquanto muitos estão empobrecendo, pois mais da metade das riquezas do mundo estão concentradas nas mãos de centenas de empresas.
Juntamente com estes aspectos, o mundo pós-moderno tem tentado aniquilar os valores absolutos demonstrando aversão pela questão da verdade. O relativismo característico tem como inevitável resultado a falência dos valores morais, a fraqueza da família e o aumento da infidelidade conjugal.
Percebe-se que há desvalorização do casamento e, as pessoas parecem sentir repulsa pelo compromisso, querendo viver juntas, mas não querem se casar. E quando se casam, não se esforçam em tentar superar as tensões e conflitos, desistindo do casamento ao sinal da primeira crise. Por conta disso, o número de casos de divórcios em muitos países tem aumentado notoriamente e a unidade celular da sociedade, a família, está sendo desestruturada.
O divórcio tem sido estimulado como sendo a solução para os casamentos que estão em crise ou para relacionamentos partidos em que os casais não cogitam sequer um ajuste para refazer a união. O casamento constitui uma das mais sublimes formas das relações humanas e o divórcio é uma das mais tristes manifestações de fracasso por causa do pecado. Ainda que como cristãos possamos admitir que em certos casos o divórcio possa ser o menor dos males, isso não altera o fato de que ele continua sendo um mal.
John Stot em seu livro Grandes Questões sobre Sexo afirma que a taxa britânica de divórcio é uma das mais altas do mundo ocidental. No Reino Unido, um em cada três casamentos termina em divórcio. Nos Estados Unidos a situação é ainda pior, com mais da metade dos casamentos terminando em divórcio. No Brasil, a realidade não é muito diferente.  A Revista Veja de 27 de novembro de 2003 publicou em um artigo mostrando que nos últimos cinco anos o índice de divórcio entre pessoas da terceira idade no Brasil teve um aumento de 56%. (LOPES, 2005, p.15-16)
Há trinta anos foi aprovada a lei que tornava o divórcio possível no Brasil. Foi uma emenda que possibilitou os casais acabarem com casamentos que não davam certo. Porém, se tratava de um processo judicial lento e burocrático que demorava cinco para ser decretado pelo juiz, acarretando outros problemas como homens e mulheres vivendo com outros companheiros sendo ainda considerados casados pela lei. Posteriormente, este prazo caiu para dois anos e, mesmo assim, continuava longo para as implicações existentes.
Promulgada no segundo semestre de 2010, a nova Lei de divórcio imediato promete agilizar processos judiciais que são efetuados logo que o casal decide por um ponto final no matrimônio. Esta emenda tem sido criticada por alguns políticos e membros da sociedade que acreditam que esta lei vai gerar uma “casa e descasa” constante no Brasil. Representantes da OAB alegam que a emenda facilitará os processos de guarda de filhos e a divisão de bens. Destacam a proteção principalmente da mulher na divisão de bens, pois, com o processo judicial lento, dava tempo a alguns maridos passarem seus bens para outros nomes deixando as esposas sem direito algum. Além disso, propicia a união de pessoas separadas que esperam o divórcio para contrair novo matrimônio.
O casamento é a pedra fundamental da sociedade humana e dele dependem todas as demais instituições, inclusive a Igreja. Sem casamentos fortes teremos famílias anêmicas e doentes. A Bíblia nos ensina que Deus odeia o divórcio ( Malaquias 2.16),  Jesus o denuncia e a Igreja deve reconhecer que ele é o resultado da queda moral do homem. MALDONADO (2003, p.162) chama a atenção que convém reconhecer que o problema é delicado e difícil. Trata-se de uma questão complexa  no qual, vários fatores estão relacionados (psicológicos, éticos, jurídicos, religiosos e até mesmo biológicos) e qualquer postura rígida ou extremamente dogmática é inadequada, tanto do ponto de vista teológico como pastoral.
No mundo cristão, a controvérsia acerca do divórcio tem sido interminável, centenas de escritores têm se expressado a respeito e as convenções denominacionais há séculos têm debatido a questão. Constitui um sério problema para as nossas Igrejas e devemos ter coragem para encará-lo com princípios claros com um estudo completo e imparcial de cada caso baseados nas Escrituras Sagradas.
O presente trabalho consiste numa abordagem bibliográfica bíblico-teológica a respeito do divórcio e a relação da Igreja com as suas questões sociais, partindo dos princípios bíblicos estabelecidos para que o crente saiba se posicionar mediante a tal situação. Assim manterá a seriedade e o compromisso cristão e, ao mesmo tempo será sensível a todos os  fatores relacionados.

2 A CRISE NO CASAMENTO

O projeto de Deus para o casamento é ser um compromisso indissolúvel e que ninguém tem autoridade para separar o que Ele uniu. É uma aliança de amor, compromisso e fidelidade entre um homem e uma mulher, envolvendo direitos conjugais nascido de um pacto de mútuas promessas. Marido e mulher devem estar juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na adversidade e somente a morte pode separá-los. (LOPES, 2005, p. 34, 37)
Segundo REIFLER (1992, p.147), o matrimônio é do ponto de vista cristão, a relação amorosa entre um homem e uma mulher que, sob orientação de Deus, manifestam publicamente o desejo de pertencerem exclusivamente um ao outro correspondendo pelo menos quatro aspectos indispensáveis: vontade e apreciação amorosa de ambas as partes, publicação oficial do desejo de convivência, cumprimento físico da união entre os parceiros e convivência real de cama e mesa.
A Bíblia nos ensina que o casamento nasceu no coração de Deus, quando não havia ainda leis, Estado ou igreja. Deus não somente criou o casamento, mas também o abençoou como está escrito “criou  Deus, pois o homem à sua imagem, à imagem de Deus os criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos...” (Gn 1. 27, 28, ARA)
Sendo criados á imagem e semelhança de Deus, assim como homem e mulher têm a capacidade de conhecer e amar a Deus; têm também a capacidade de conhecer e amar um ao outro. Se um casal livre se apresenta diante de Deus representado na pessoa do ministro ou de um representante do Estado  para serem unidos em matrimônio, esta aliança é valida e selada por Deus. Isso rechaça a desculpa de alguns que alegam que certos casamentos são desfeitos por que não foram unidos por Deus, mas assim enfatiza o Senhor em Malaquias 2.14 que Ele é testemunha desta aliança.
Do ponto de vista social o casamento é uma instituição gerada em contextos diferentes com característica próprias, cujas funções básicas são enquadrar a sexualidade em limites que  assegurem a convivência e fornecer um quadro adequado à procriação e formação social, que permita o desenvolvimento da comunidade humana. A Bíblia amplia esta visão ensinando que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança e isto significa que ele foi criado para o amor, e a condição sexuada é um símbolo da sua disposição para o amor. (MALDONADO, 2003, p.180)
 Segundo LOPES (2005, p. 24), o casamento é um relacionamento profundo que exige abnegação, devoção, constante renúncia e contínuo investimento. Somente as pessoas que oferecem mais do que cobram e fazem mais depósitos que retiradas, podem ser bem sucedidas no casamento. O segredo do casamento feliz não é apenas encontrar a pessoa certa, mas ser a pessoa certa. Conclui-se que a felicidade conjugal não é algo automático, ela é construída com muito esforço, inteligência e determinação.
Em sua experiência com aconselhamento de casais identificou que alguns perderam o amor que sentiam um pelo outro, lhes restando os filhos e muitas decepções. Outros naufragaram por causa da crise financeira, não conseguindo conciliar a sobrevivência com o amor conjugal. Outros ainda perderam o entusiasmo pelo sexo, chegando até mesmo iniciar um relacionamento extraconjugal. Alguns cônjuges foram agredidos não só fisicamente, mas também psicologicamente, sendo obrigados a sair de casa para protegerem a si mesmos e os filhos.
Muitas são as causas das crises no casamento: descumprimento dos papéis de cada um dos cônjuges dentro do casamento, imaturidade, falta de preparo para o casamento, problemas financeiros, frieza, agressividade verbal e física e infidelidade conjugal
A infidelidade conjugal tem sido uma triste marca da sociedade contemporânea. Pesquisas realizadas entre pessoas de até quarenta anos revelam que 50% a 60% dos homens casados e 45% a 55% das mulheres casadas têm sido infiéis aos seus respectivos cônjuges. Outros dados identificaram que 26% a 70% das mulheres casadas e 33% a 75% dos homens casados já se envolveram em casos extraconjugais. Além de serem desastrosamente comuns, os casos extraconjugais têm consequências devastadoras para os casais e para os filhos. (LOPES, 2005, p. 15)
Ao acompanhar diversos casais, LOPES (2005, p. 25) também percebeu que muitos casamentos naufragaram não por causa de problemas graves, mas devido às pequenas tensões que vão se acumulando dia após dia, até se tornarem insuportáveis. Cita Rob Parsons que afirma “ a principal causa do desmoronamento conjugal é a paralisação do diálogo” que ele chama de  separação gradativa.
O autor diz que muitas pessoas preferem se justificar e/ou se eximir do problema no casamento através do divórcio e várias são as causas para o seu espantoso aumento: falta de entendimento ou crença nos ensinamentos de Deus sobre o casamento, infidelidade conjugal, ausência de diálogo, emancipação da mulher, mudança do padrão profissional (agora, marido e mulher trabalham fora), desemprego, aperto financeiro, facilidades legais para o divórcio, declínio da fé cristã e falta da compreensão da santidade.
3 O DIVÓRCIO

Deus instituiu o casamento e não o divórcio. O divórcio é uma instituição humana que é reconhecido, permitido e regulamentado na Bíblia. Trata-se de uma evidência clara de pecado. A dureza do coração dos homens é manifestada pela indisposição de obedecer a Deus e permanecer no ideal que Ele planejou para o casamento.
 De acordo com Mateus 19.8-9, Jesus disse que Deus permitiu o divórcio, mas jamais o estabeleceu como fruto da Sua vontade: “Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações ilícitas, e se casar com outra comete adultério”. (ARA, 1999)
Com isso, Jesus não está dizendo que o cônjuge traído tem que se divorciar compulsoriamente por causa da infidelidade do seu cônjuge. Ele está livre e pode percorrer outro caminho, o caminho do perdão, da cura paciente e da restauração do casamento. Mas infelizmente, em alguns casos nem sempre é possível curar as feridas e salvar o casamento.
O divórcio é uma abominação aos olhos de Deus, é o resultado do fracasso humano de amor, respeito e dedicação ao cônjuge. Além disso, é impossível rasgar o que  marido e mulher se tornaram (uma só carne) sem causar sofrimento, trauma e vítima. Mesmo que a sociedade  pós-moderna esteja fazendo apologia do divórcio, os princípios de Deus não mudaram nem jamais mudarão. E, Deus só o tolera e o legitima pela quebra do pacto conjugal nos casos de infidelidade conjugal (Mateus 19.9) e completo abandono (1 Coríntios 7.15). (LOPES, 2005, p.35)

3.1 O Divórcio no Antigo Testamento

Moisés não foi o primeiro a tratar acerca do divórcio, os códigos mais antigos da humanidade já o configuravam como instituição social inquestionável, como o Código de Hamurabi (1792-1750 a.C) que legislou claramente sobre o divórcio em 10 artigos. O divórcio na Bíblia surgiu num contexto social de machismo, bigamia, poligamia e concubinato. Assim, Moisés não ordenou o divórcio, apenas permitiu seu uso, mas não por qualquer motivo. (LOPES, 2005, p.101-102)
Segundo DUTY (1978, p.20), no tempo de Moisés assim como em outros tempos, muitos judeus eram cruéis com suas esposas. Foi por causa dessa crueldade e dureza de coração que Deus permitiu o divórcio. Esses judeus se divorciavam por qualquer motivo e pelas questões mais fúteis “como, por exemplo, se elas queimavam o pão ou não temperavam a comida adequadamente; ou se não gostavam das suas maneiras; ou se não era boa dona de casa e até mesmo se encontrasse outra mais bela do que ela.
O ponto de partida na Bíblia ao que se refere ao divórcio é Deuteronômio 24.1-4. Segundo MALDONADO (2003, p.167), um estudo cuidadoso desse texto indica que a lei de Moisés permitia o divórcio entre os israelitas por outros motivos além do adultério e, que era consentido sobre a base de alguma coisa “indecente” ou algo “vergonhoso” (conduta torpe, imprópria). Alguns comentaristas acreditam que estes termos sempre se referiam ao adultério e que a lei permitia o divórcio somente nestes casos. Contudo, Deuteronômio 22.22 determinava que o adúltero, homem ou mulher, deveria ser apedrejado até a morte.
No caso da mulher de que fala Deuteronômio 24 não somente “não é apedrejada, como tem liberdade para voltar a casar-se”. O marido judeu podia acusar a esposa por tudo o que lhe parecesse incorreto ou desagradável e sob a qualquer pretexto. Por isso, a lei obriga o homem a entregar a carta de divórcio à mulher a quem repudia, protegendo-a das arbitrariedades de um esposo inconstante e irresponsável. (MALDONADO, 2003, p.168)
Quanto ao uso da palavra “indecente” em Deuteronômio 24.1, de acordo com DUTY (1978, p.20), alguns gramáticos mostram-se incertos quanto ao seu significado neste verso, pois o vocábulo é ervah-dover tinha diversas interpretações no Talmulde em várias gerações. De acordo com a Bíblia de Estudo Vida (ARA, 1999), alguns comentaristas acham que “indecente” refere-se à mulher imunda, que negligenciava as instruções da lei a respeito da menstruação (Lv 15.19-27) e outros pensam que se refere a um defeito físico como a impossibilidade de gerar filhos.
De acordo com LOPES (2005, p. 102) o ensino de Moisés em Deuteronômio 24.1-4 revela três pontos básicos: primeiro, o divórcio foi permitido com o objetivo de proibir o homem de voltar a se casar com a primeira esposa depois de se divorciado dela. Dessa forma, a mulher era protegida das artimanhas de um marido imprevisível e talvez cruel. Segundo, o marido podia se divorciar de sua mulher se achasse nela alguma coisa indecente. Por último, se o divórcio era permitido, o segundo casamento também era, não apenas para os judeus, mas para todas as culturas do mundo antigo.
Edward Dobson citado por LOPES (2005, p.103) afirma que “se o divórcio não fosse permitido em alguns casos, as mulheres poderiam ser expostas a grandes dificuldades e sofrimentos pela crueldade de seus maridos.”
Na história judaica, a questão do divórcio é conhecida como a disputa das escolas de Hillel e Shammai, os dois líderes rabínicos que viveram cerca de uma geração antes de Cristo. Hillel ensinava que um judeu poderia divorciar-se por qualquer motivo. Shammai defendia a idéia de que o divórcio só seria legal por causa de fornicação. Essa disputa debatida de norte a sul naquela terra girava em torno  das alegações legítimas para o divórcio. (DUTY, 1978, 22)
MALDONADO (2003, p.168) diz que uma interpretação séria de Deuteronômio 24.1-4 “revela que a lei mosaica abordava uma prática que havia sido imposta pela força da tradição e que Deus o tolerava”. No Novo Testamento Jesus explica o porquê dessa tolerância, a dureza do coração.

3.2 O Divórcio no Novo Testamento

Em Mateus 19.1-12 os fariseus inquirem a Jesus acerca do divórcio intentando colocá-lo numa situação difícil. LOPES (2005, p.99) destaca que diante deste sutil ataque dos fariseus, Jesus teve a oportunidade  de revelar o uso equivocado que os judeus faziam  do texto de Deuteronômio 24 naquela época.
 Nesta passagem, Jesus não apresenta uma nova lei, mas remete-se ao plano original de Deus corrigindo os fariseus argumentando que Moisés não mandou dar carta de divórcio, mas o permitiu por causa da dureza do coração humano. (MALDONADO, 2003, p.169)
  Jesus endossou a estabilidade do casamento sendo os laços matrimoniais um ideal divino. Declarou que a lei mosaica acerca do divórcio era uma concessão temporária ao pecado humano e não um “mandamento” como denominavam os fariseus. Jesus  chamou o divórcio de “permissão” (permissão relutante) devido à obstinação humana e não devido à intenção divina. Os fariseus erravam em ignorar a diferença entre a vontade absoluta de Deus (o casamento) e a provisão legal à pecaminosidade humana (o divórcio). (LOPES, 2005, p.99)
Jesus reconhece a realidade do divórcio como um fato inegável produzido pela infidelidade. Parece justificado afirmar em Mateus 19 que quando um cônjuge repudia o outro por adultério, esse repúdio expressa a dissolução (quebra) do laço matrimonial. Sendo assim, o homem ou a mulher fica livre para um novo casamento sem estar adulterando. (MALDONADO, 2003, p.169)
Jonh Stot citado por LOPES (2005, p.11) argumenta que Jesus não ensinou que a parte inocente devia divorciar-se do cônjuge infiel, mesmo tendo a base legal apara isto, nem mesmo encorajou ou recomendou o divórcio por infidelidade. Diz que “Jesus enfatizou que o único divórcio e o novo casamento que não equivalia ao adultério era o da parte inocente, cujo cônjuge fora infiel”.
Outro texto no Novo Testamento acerca do divórcio é o ensino de Paulo em 1 Coríntios 7. 10-15, que não se opõe em nada ao ensino de Jesus, mas repete e reafirma a proibição de Cristo. As questões dos coríntios tinham a ver com três situações específicas: o divórcio entre crentes (10, 11); o divórcio entre um crente e um incrédulo, quando este não queria a separação (12-14); o divórcio entre um crente e um não crente, quando este queria a separação definitiva (15).
Na primeira situação, se um casal se separar depois de uma séria crise conjugal que se tornou insustentável, o caminho estabelecido por Deus é a reconciliação ou permanecer separado sem contrair novas núpcias. Neste caso, a separação deixa a porta aberta a uma possível reconciliação futura. Mas, se após esta separação, um cônjuge se casar, estará cometendo adultério, porque Deus não reconhece a validade desse tipo de divórcio. ( LOPES, 2005, p. 116; MALDONADO, 2003, p.170)
Na segunda situação, o crente  deve permanecer fiel ao lado do cônjuge não-cristão se este assim consente, dando um testemunho vivo, amoroso e eficaz ao incrédulo, pois a ruptura jamais pode partir do cristão. No terceiro caso, o apóstolo permite (tanto a uma parte como a outra) o divórcio e a possibilidade de voltar a casar-se. A decisão da ruptura parte do cônjuge incrédulo e o crente não pode fazer nada. (MALDONADO, 2003, p.170)
Segundo LOPES (2005, p. 119), a restrição de Cristo sobre infidelidade conjugal como fundamento para o divórcio não é inconsistente com a admissão de Paulo sobre o abandono como outro fundamento para o divórcio. Não há conflito entre Jesus e Paulo sobre esta questão, porque o primeiro está falando da base ativa para o divórcio (o cônjuge inocente voluntariamente toma a iniciativa do divórcio) enquanto o outro da passiva (a iniciativa do divórcio é do cônjuge que abandona).

3.3 As questões sociais do divórcio e a Igreja
O divórcio é a demonstração da queda moral do ser humano porque não conservou o plano original de Deus para o casamento, por causa do pecado da resistência em dedicar amor e respeito ao seu cônjuge. É inquestionável o fato de que os filhos são as principais vítimas da ruptura do casamento, deixando marcas pelo resto da vida.
De acordo com KEMP (2000, p.131), conforme várias pesquisas, nem 10%  dos filhos de pais divorciados testemunharam terem ficado aliviados com a separação. Mesmo aqueles que achavam ser o divórcio a única solução para os pais confessam ter encarado muitas dificuldades para ajustarem-se à nova situação.
Infelizmente, em muitos casos, os filhos já são vítimas antes mesmo da ruptura do casamento dos pais, quando são testemunhas (e à vezes, também alvos) da violência doméstica; quando são afetados pelo comportamento passional de um deles; quando não têm suas necessidades materiais supridas pela irresponsabilidade do chefe da família que negligência os cuidados com a esposa e filhos e assim por diante.
O que falar da esposa que é vítima das agressões do marido, física e emocionalmente; que convive com os casos extraconjugais que o marido não quer deixar, adoecendo na alma e até por uma doença venérea; aquela que sofre juntamente com os filhos a negligência do marido em suprir o lar. O esposo também é vítima da mulher infiel sem arrependimento; da mulher que se recusa a cumprir sua responsabilidade matrimonial quanto ao sexo e, no caso de líderes espirituais, as mulheres que prejudicam no serviço a Deus.
Muitas destas situações estão ocorrendo dentro das igrejas. Muitos casos são tão insuportáveis que muitos cristãos estão tendo como única saída o divórcio. E, além desse trauma, o de rompimento com o matrimônio, são vítimas do preconceito por parte de muitos crentes dentro do convívio da igreja. Não são poucos os casos conhecidos de descriminação e, principalmente quando ocorre um segundo casamento após o divórcio não importando a causa. DUTY (1978, p. 14) em sua pesquisa acerca do divórcio relata a “interminável crueldade moral” que muitas pessoas divorciadas e casadas de novo sofrem, sendo impedidas de realizar qualquer trabalho na igreja.
Muitos dos autores que escrevem a respeito deste assunto, inclusive alguns citados neste trabalho, não fazem em suas abordagens referências às questões sociais supracitadas que, infelizmente ocorrem nos lares de muitos cristãos cujos cônjuges insistem em permanecer em suas atitudes deletérias. Na verdade, algumas de suas colocações fazem as vítimas parecem culpadas por escolherem o rompimento do matrimônio por “dureza de coração”, como dizem, pelo fato de não aceitarem o cônjuge de volta significar falta de perdão
Em Mateus 19.8  a palavra sklhrokardi/a que significa literalmente “duro coração”, “pertinácia” (GINGRICH & DANKER, 1984, p. 190) corresponde a aquele que persiste em não se submeter à vontade de Deus (insensível). Jesus usou o termo dureza de coração porque alguns judeus eram perversos com suas mulheres ao ponto de querer deixá-las por qualquer motivo, porém, limitou o divórcio no caso de infidelidade pela quebra da aliança conjugal. Os judeus não queriam se submeter ao ideal de Deus para o casamento e sim discutir os motivos para o divórcio, portanto, se tratava da antiga briga entre as escolas de Hillel e Shammai.
Diante disso, é insustentável a argumentação de alguns autores como LOPES (2005, p. 121) que diz que “dureza de coração” é a incapacidade de perdoar, o que não tem a ver com o sentido do termo usado por Jesus. Porém, independente da existência ou não do divórcio, o perdão deve ser concedido por parte do inocente ou da parte prejudicada.
            Segundo REIFLER (1992, p. 167) cair num farisaísmo ou num casuísmo evangélico é muito fácil  e condenar unilateralmente o divórcio como antiético ou antibíblico, mas é muito mais difícil ajudar a recuperar a vida emocional de uma pessoa divorciada.
            A Igreja deve aprender que todas as pessoas são objeto do amor e da misericórdia de Deus, sendo assim, não pode ser ela a rejeitá-las. A Igreja precisa encarnar a misericórdia divina, ser um lugar onde os feridos possam encontrar aceitação, perdão, cura e restauração. Fazer como Jesus que não colocou mais um peso sobre a mulher samaritana que já havia sendo humilhada o bastante, afinal, ela havia recebido carta de divórcio de quatro maridos, era desprezada pela sociedade e ainda vivia com um homem que não era seu marido.
            A igreja precisa agir de forma preventiva em relação aos jovens oferecendo aconselhamento pré-nupcial e também acompanhando os casais que estejam enfrentando problemas conjugais. A Igreja precisa trabalhar com os casais de forma que eles consigam prevenir as crises sabendo lidar com todas as questões que envolvem uma vida a dois.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como podemos perceber não é uma tarefa nada fácil lidar com a questão do divórcio. Não se pode tomar uma posição totalmente antidivorcista que não demonstre compreensão para com os dramas vividos por muitas famílias em que os vínculos matrimoniais estão destroçados. Por outro lado, não se pode aderir às correntes divorcistas que não cogitam a possibilidade da restauração do relacionamento conjugal, pondo em perigo a integridade e as disposições mental, psicológica e sociológica da família.
Como cristãos temos que buscar a única resposta válida à questão do divórcio, assim como  para qualquer outra problemática, na Palavra de Deus. Contudo, devemos ter consciência da dificuldade da interpretação bíblica para a aplicação às situações concretas e diversas, considerando que muitas vezes iremos encontrar estas respostas em forma de princípios básicos.
Entendemos que Deus tem um ideal para o casamento e, este deve ser almejado o tanto quanto possível, através da busca do diálogo conjugal e do perdão, do ensino da Palavra de Deus, do aconselhamento pastoral para mudança das atitudes deletérias entre cônjuges. A Igreja do Senhor Jesus tem um papel fundamental neste processo e tem condições para fazer pelo menos o possível.
Como cristãos devemos deter o uso abusivo do divórcio por qualquer motivo, pois isso contradiz o ensinamento de Jesus e acatar o divórcio nas condições extremas que algumas pessoas são submetidas, cujas tentativas de restauração cessaram.
Diante disso, cabe à Igreja o cuidado emocional e espiritual das pessoas que sofrem com isto. Distinguir as três situações nas quais o divórcio acaba acontecendo: pela dureza de coração onde biblicamente os cônjuges se optarem por se divorciar não devem contrair outras núpcias para deixar aberta a porta de reconciliação ( Mt 19. 8- 9; 1 Co 7. 10- 11); abandono de lar quando o cônjuge é incrédulo e não quer viver com parte crente, sendo permitido o divórcio e o novo casamento (1 Co 7. 12-5) e por infidelidade onde inocente se não desejar refazer a aliança quebrada pelo adultério, pode casar-se novamente com outra pessoa (Mt 19.9).
A Igreja deve observar em quais situações cada caso se enquadra para que possa, à Luz das Escrituras, orientar de forma que proporcione o melhor desfecho que cada situação permite encorajando sempre o caminho do perdão e da reconciliação e cuidando dos casos em que a reconciliação não for possível.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Vida. Tradução: João Ferreira de Almeida. ARA. São Paulo: Vida, 1999.
BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Genebra. Tradução: João Ferreira de Almeida. ARA. São Paulo: Cultura Cristã, 1999.
DUTY, Guy. Divórcio e Novo Casamento. Belo Horizonte: Betânia, 1978.
GINGRICH, F. Wilbur, DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento Grego/ Português. São Paulo: Vida Nova, 1984.
KEMP, Jaime. A Arte de permanecer Casado: um guia seguro para quem deseja salvar o casamento. São Paulo: Sepal, 2000.
LOPES, Hernandes Dias. Casamento, Divórcio e Novo Casamento. São Paulo: Hagnos, 2005.
MALDONADO, Jorge. Casamento e Família: Uma abordagem bíblica e teológica. 2ed. Viçosa: Ultimato, 2003.
NOVO TESTAMENTO TRILÍNGUE. Grego- Português- Inglês. Editor: Luís Alberto Teixeira Sayão. São Paulo: Vida Nova, 1998.
REIFLER, Hans Ulrich. A Ética dos Dez Mandamentos: Um modelo de ética para os nossos dias. São Paulo: Vida Nova, 1992.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como o Senhor Jesus se esvasiou e ainda sim realizou tantos sinais e maravilhas?

Este tópico de que irei discorrer  esta dentro do tema trindade, na parte de Cristologia, no ponto em que se fala da humanidade de Cristo em seu oficio profético.
Antes de qualquer coisa é preciso pontuar algumas questões para então entrar propriamente no  assunto.
1º O Senhor Jesus Cristo nos dia de sua encarnação estava limitado por sua condição humana. Quando Fl 2.5-8 declara que Ele não usurpou ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo significa que nos dias de sua encarnação Ele não usou seus atributos; Ele os tinha, mas não usou.
2º Não há distinção entre o Jesus homem e o Jesus Deus, Eles são a mesma pessoa. (1Jo 5.20; At 17.31 e Jo 1.1, 2 e 14) E neste ponto penso que é mais coerente dizer plenamente homem, plenamente Deus, ou totalmente homem totalmente Deus, ou verdadeiro homem verdadeiro Deus, pois 100% homem 100% Deus dá 200%.
Em relação ao Senhor Jesus ter exercido seu oficio profético por estar ungido com o Espírito Santo não vejo dificuldade alguma, pois no velho testamento os profetas estavam ungidos com o Espírito Santo e realizaram os mesmos sinais e prodígios que o Senhor realizou.
a)      O através do profeta Elias  por três anos não choveu e quando orou choveu (1Rs 18. 41-45), ou seja, controle da natureza.
b)      A viúva de Sarepta e a sunamita tiveram seus filhos  ressuscitados (1Rs 17. 17-23; 2Rs 4.32-37), ou seja controle sobre a morte.
c)      O azeite da viúva foi multiplicado (2Rs 4. 1-7), ou seja, controle dos elementos.
d)     Naamã curado de sua lepra (2Rs 5. 9-15), ou seja poder sobre as doenças.
e)      Fazer flutuar um machado (2Rs 6. 1-7) ou, seja poder sobre a física.
f)       Dizer os planos do rei da Síria traçado em secreto (2Rs 6. 8-12), ou seja, saber o que se passa na mente das pessoas (dom da clarividência).
Em fim tudo isto estes homens fizeram pedindo a Deus, a semelhança do Senhor Jesus Cristo, por terem sobre si a unção do Espírito Santo. Por isso o Senhor Jesus nos dias de sua carne ressuscitou mortos, curou enfermos, multiplicou os pães e os peixes, andou sobre as águas e fez toda sorte de prodígios e sinais. Poderia tê-lo feito por seu próprio poder? Claro que sim Ele é Deus, mas se assim o fize-se sua humilhação não seria total visto estar usurpando ser igual a Deus. Entretanto que diz o texto de Filipenses? Ele se esvaziou e não usurpou ser igual a Deus. Se assim o fosse a tentação, a crucificação e todas suas limitações nos dias de sua carne não passariam de teatro, pois não estaria cumprindo seu ministério como homem, mas como Deus. O que quero dizer com isto é que Jesus veio a semelhança de Adão antes da queda, ou seja, uma condição de homem não caído diferente de nós caídos pelo pecado, mas sem contudo usar seus atributos divinos. Isto é venceu o pecado e a morte na condição de homem e não na condição de Deus.
Para provar esta tese é necessário levantar  algumas questões.
1º por que o Senhor Jesus teve de passar a noite orando para saber quem seriam os dose discípulos? (Lc 6. 12-16) Alias por que Ele orava já que poderia usar sua onisciência para saber tudo o que precisava para cumprir sua missão, não era por ter se esvaziado?
2º Por que o Senhor Jesus perguntou o nome do demônio em Gadara? (Mc 8.30)
3º Por que perguntou ao pai do menino possesso  a quanto tempo ele estava assim? (Mc 9. 21)
4º Por que o Senhor Jesus perguntou quem me tocou? (Mc 5.30)
5º Por que o Senhor Jesus não sabia o dia de sua vinda? (Mt 24. 36)
6º Por que o Senhor Jesus disse aos farizeus que eles estavam blasfemando contra o Espirito Santo quando espulsava demônios e realizava milagres se foi em seu poder?
A meu ver estes textos mostram o nosso Senhor Jesus, limitado nos dias de sua carne, possuía seus atributos, mas não usou. E tudo o que realizou foi por meio do Espírito Santo.
a)        Se não foi assim, então qual a necessidade d’Ele ser ungido com o Espírito Santo?
b)        Estaria então Pedro mentindo? Pois Pedro afirma em At 10. 38 que o Senhor realizou o que realizou por meio do Espírito Santo.
c)        Estaria então Paulo mentindo? Ele afirma que o Senhor Jesus se esvaziou (Fl 2.5-8); Se isso não é se esvaziar o que é então?
d)       Estaria então o Senhor Jesus mentindo? Ele próprio declarou na sinagoga em Nazaré, no início de seu ministério, citando Isaías, que sobre Ele estava o Espírito do Senhor para realizar tudo o que realizou (Mt 4. 14- 21).
Espero que estes questionamentos possam contribuir para o melhor esclarecimento deste assunto.

sábado, 29 de janeiro de 2011

UMA SAÍDA PARA AS CONTRADIÇÕES QUANDO SE TRATA DE PREDESTINAÇÃO.

Abaixo segue algumas considerações que espero, seja esclarecedor para  não entrarmos em contradição entre a soberania de Deus e a liberdade do homem.
Nas escrituras, de modo geral, quando se trata de predestinação seu foco sempre está ligado com propósito e somente em raros casos a um destino, com exceção em 2Ts 2.13 onde esta declarado que Deus nos escolheu desde o princípio para a salvação. É interessante notar que a palavra traduzida por princípio em 2 Ts 2.13 é aparquen que significa primícias ou primeiros frutos, como a NVI coloca em nota de roda pé, dando a entender que Paulo estava falando dos primeiros frutos do evangelho; sendo que seu contexto tinha como objetivo encorajar os eleitos a não temer a perseguição do Anticristo visto que sua salvação dos eleitos era certa. Em Rm 8.29b o texto diz que fomos predestinados para sermos conforme a imagem de seu Filho. Em Ef 1.4 que fomos eleitos antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis. Em At 4.28 quando Apostolo Pedro esta em oração depois de ter sofrido por pregar o evangelho ele declara que as autoridades, gentios e judeus, fizeram o que a mão e o conselho do Senhor havia anteriormente determinado. Em Rm 9 quando se fala de escolha e eleição se fala de Isaque e Jacó que foram eleitos para, a partir de sua, descendência surgisse à nação que seria o povo por meio do qual Deus cumpriria e revelaria seus propósitos e de onde surgiria o salvador; quando fala de faraó seu propósito e de através dele, Deus mostrasse seu poder, ser glorificado e fazer conhecido seu nome em toda terra. Em Jo 15.16 o próprio Senhor Jesus nos afirma que nos escolheu para irmos e dar frutos permanentes. Assim também quando predestinou indivíduos para cumprir seus propósitos. Ex; Ciro, Jeremias, o apostolo Paulo, Judas etc. Em nenhum desses textos está se tratando de lugar e sim que por meio da presciência de Deus, sabendo os que o aceitariam já os designou para cumprirem propósitos específicos. Como da mesma forma já antevendo os que não creriam já os designou para outros propósitos.
Outra questão interessante para pontuar esse tópico é o fato de quando trata de predestinação para um lugar ela sempre conduzir essa questão para o termo em Cristo. Em Efésios cap. 1, em especial nos versos de 1 a 13, que é onde se trata de maneira especial o tema em questão, tudo esta relacionado com o ponto chave em Cristo ( ou seja, através da fé em cristo), exceto nos versos 2 e 8 que completam o pensamento do verso anterior, mostrando que esta predestinação é fruto da nossa ligação com Cristo. Ou seja, que a partir do momento que me ligo a Cristo, pela fé, tudo que foi tratado na eternidade se cumpre na minha vida por crer em cristo (v. 3). Pois  o que entendo dos textos citados é que o plano é quem foi predestinado (Ef 3. 8-12) e não indivíduos. Os indivíduos só são participantes do plano salvífico depois de receber a Cristo (v. 5). Pois a minha certeza de salvação esta baseada no fato de Deus não mentir e se Ele prometeu que me salvaria se cresse em Cristo (Jo 3.16-18), então digo que sou salvo pela fé, mas essa salvação não é fato consumado em minha vida, pois não estou no céu, mas aqui (Rm 8.24 e 25). Entretanto sei que por causa de Cristo vou para o céu, ou seja, sou predestinado por causa de Cristo vs. 11 e 12 (“antemão esperamos em Cristo”). Pelo menos é isso que entendo da conclusão de Paulo no verso 13 quando diz que: É também nele que vós estais depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação. Tendo nele crido fostes selado com o Espírito Santo da promessa. Não Antes.
Para concluir reforçando a tese de que a predestinação para um propósito esta também baseada na presciência de Deus existe não só o texto de 1 Pe 1.2 que declara isto explicitamente, mas também o texto de Rm 8. 29a onde diz que “os que de antemão conheceu também os predestinou”. Isto é, por conhecer antes separou o homens para seus propósitos a fim de cumprir sua vontade tanto para o bem quanto para o mal.
 Então podemos visualizar que quando se fala de predestinação na bíblia e não nas escolas teológicas vemos três diferentes significados. 1 Predestinados pela presciência. 2 predestinados para um propósito. 3 depois da fé em Cristo para a eternidade.
Diante das colocações acima vejo que devemos tratar com cuidado esse tema; podemos estar convictos em determinada posição, mas pode ser que infelizmente redondamente enganados. Digo isto para ambas as partes, pois creio que se analisarmos os textos Bíblicos com humildade poderemos chegar a um consenso sem contradizer a palavra em nenhum ponto, pois da forma, como a Palavra esta sendo tratada, os paradoxos até parecem contradição.
Espero poder ter contribuído para mostrar em que termos a predestinação é tratada na bílbia. A graça do Senhor Jesus seja com todos.